P...

Naquele supermercado tinha uma cafeteria. Tinha uma cafeteria na entrada do supermercado. E ela é a pedra no sapato de quem ousa lanchar por ali.

Aparentemente, tudo certo. Produtos variados, de excelente qualidade, preço justo, localização estratégica, na entrada do estabelecimento e discretos cartazes promocionais anunciando o serviço. Parece que tinham McCarthy na ponta da língua, certo?

ERRADO! Esqueceram de treinar os atendentes! O resultado, vocês imaginam. Se cada mergulho é um flash, cada ida rende um post.

Seguem três casos que ocorreram comigo em dias diferentes.

ATO UM

- Moça, pese essa brevidade para mim?

A moça pega o quitute, leva à balança: 48 gramas. Imediatamente, vem a pergunta:

- Você quer só essa?

- Sim, sim.

- ENTÃO EU NÃO POSSO TE VENDER POIS O MÍNIMO QUE SE VENDE AQUI  É 50g.

(Já disse isso levando-a de volta para o balcão)

Não acreditei. Por causa de 2 gramas eu iria deixar de lanchar o que eu queria. Pedi pra ela procurar outra mais pesadinha, colocar um farelinho, botar um dedo na balança ou outro biscoitinho, mas NADA. Ela era taxativa. Ou eu colocava DUAS, ou nada. Acabei comendo um pão-de-queijo por estar com pressa e preguiça de discutir.

 

ATO DOIS

Outro dia, outra novela. Dessa vez, fui no meio da tarde e havia uma fila descomunal perto do balcão. A atendente escolhia ao acaso quem iria atender - a regra era, quem falava mais alto, quem tinha o braço mais comprido e a cutucava, quem ficava nervoso. Nisso, uma senhorinha que estava lá há tempos desistiu e foi embora. Um rapaz sensato ponderou:

-Por que você não atende as pessoas na ordem que elas chegaram?

A resposta:

- Vocês que se ajeitem aí. Eu sou incapaz de guardar qualquer ordem.

 

ATO 3 : ESSA FOI DEMAIS!

Antes de iniciarmos as compras, eu e meu marido optamos por um café no dito lugar.

Ele pede dois cafés e a resposta da moça é:

- Não tem café.

Como assim uma cafeteria não tem café? Perguntei inocente:

- Uê, mas acabou o café, a máquina estragou?

- Não, café até que tem, dá pra fazer. Mas a gente tá com um problema no código...

Eu e meu marido rimos incrédulos - a moça justificou.

- Olha, a culpa é deles lá em cima, viu? Eu não tenho nada a ver com isso, eu só trabalho aqui.

Fico impressionada quando escuto isso. Culpa dessas moças? Não. Culpa de quem não as treinou devidamente. Culpa de quem acha que marketing é assunto de diretorias e gerências. Ao longo das minhas compras vi um monte de gente indo ao balcão e indo embora no mesmo instante. Cafeteria sem café não dá. Atender sem treinamento, idem.

Fiquei boba. Ou isso é um complô pra eu ter sempre asunto novo no blog ou aquele supermercado pratica uma nova versão do mix de marketing: 4 PQPs.

Escrito por Clara Bóia às 15h18
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Arejar as idéias

Em BH, tá um calor do cão. Ou do caracol. A solução é sair de casa, beber algo refrescante e terminar a noite tomando sorvete.

AMO-MUITO-TUDO-ISSO.

Escrito por Clara Bóia às 04h53
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Cabeça OCA

Eu acho que a cousa vem da época da colonização. Os purrtgueises aportaram em nossas praias de nudismo e rapidinho começou o troca-troca. Além disso que você está pensando, foi um tal de pedra pra cá, espelhindo pra cá, madeira em troca de guizo, um legítimo carnaval. Parecia piada ou programa do 'Seu Sílvio". Quer trocar uma floresta de pau brasil por um abridor de latas???? SIIIIIIIM

O problema é que eu desconfio  que há uma tribo de indiozinhos escambeiros habitando a cabeça oca do brasileiro até hoje. Ô povo que adora uma promoção. Troca mesmo seu rico dinheirinho por panelas e carrinhos do Jornal Super, compra uma fortuna pra ganhar camisetas de qualidade duvidosa, compra cinco bronzeadores pra ganhar um 'bardinho de prástico". O Natal mal chegou e a gente já começa a criar peças publicitárias do tipo "compre isso, ganhe aquilo". É uma beleeeeuza!

Mas nada se compara ao surto que me acomete quando vou a congressos e feiras. Neste caso, o espírito do escambo é potencializado, POIS VOCÊ ESTÁ ALI SÓ PRA GANHAR. Quando são feiras bacanas tudo bem. Mas a tal regra vale pra tudo. De salões do automóvel às feiras de ciência. Algo dentro de mim adora circular com aquelas sacolonas pra ir enchendo com canetas que não escrevem bem, folderes que nunca lerei, cds que jamais entrarão no meu computador. Preencho os cadastros na tentativa de ganhar aquelas camisetas disformes, com logomarcas gigantescas que não prestam nem pra dormir. Só nas feiras eu chupo balinhas enjoativamente doces, tomo coca-cola quente, como pipocas doce de isopor. Afinal, é "di gratis", não é? E no fim das contas volto pra casa feliz com o meu lixo que acaba na SLU em poucos dias. E daí? A pajelança já foi feita dentro de mim e os meus índios já estão satisfeitos com os presentinhos inúteis trocados pelo meu tempo livre. 

Escrito por Clara Bóia às 01h20
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"Ontem eu passei meu aniversário de um modo meio contemplativo: pensei no alinhamento das estrelas - o mesmo de quando nasci e no útero da minha mãe".

É. Ontem foi nivers do Fernando mas engana-se quem pensa que este é um post de aniversário. Mesmo porque Fernando não é dado a aniversários e comemorações padrão. Tem pânico da vidinha burguesa, organizada e certinha, da falta de calor das relações, dos sentimentos de posse. Mas engana-se quem pensa em uma pessoa fria. Fernando é doce, mas não é piegas *e vai achar MOOOOITO piegas eu dizer isso*, odeia discutir relacionamentos mas já perdi a conta de quantas horas inteiras gastamos falando da vida. Fernando me faz rir, aliviando-me de dores que eu pensava sentir sozinha, não tem papas na língua, fala o que pensa, embora pense muuuuuuito mais do que fale. É reservado sem ser anti-social, é aquele amigo que você pode ligar a qualquer momento mas evite dizer "Liguei só pra dizer que eu te adoro". Provavelmente, ele te dirá "Tá tudo bem aí? Vc bebeu? Tá deprimida? Tudo bem mesmo?" Sem ironia, com uma preocupação natural mas infundada de quem não tá acostumado com rasgação de seda. E quando eu te ligo no outro dia perguntando como foi o niver -esperando uma responda evermonteana "normal. trabalhei, fui na facul, passei raiva com orientador e dormi" você me veio com as palabras que postei lá em cima, entre aspas. Coisa linda. É. A vida é mesmo "na lata", Fernando, e tão imprevisível como você. Mas por isso mesmo, tão preciosa.

Escrito por Clara Bóia às 12h44
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Entre caldos e cafés

Existem alguns achados na vida cuja extinção é digna de processo. Um desses casos é o caldo de abóbora com camarão do Café do Sol. Farto, delicioso, preço honesto (algo em torno de RS 8,00), servido com generosas lascas de pão italiano. Não costumava ser a saída oficial do final de semana mas costumava cruzar nosso caminho com alguma freqüência: ao final de peças de teatro, quando queríamos apenas uma leve esticadinha, na categoria "agrado para pessoas queridas" quando levávamos as nossas mães e como desculpa pra demorar um pouco pra ir para casa, em tempos de namoro. Deixava qualquer dia comum com ares de festa. Lembro-me de um dia frrrrriiiiiio que o Sr. Claro Bóio me buscou no trabalho, um despretensioso meio de semana e ficamos um bom tempo lá conversando, bebericando uma taça de vinho e tomando o caldo que passou a fazer parte da nossa história. Um belo dia.... SURPRESA! Ele saiu do cardápio e nem deixou um bilhete de despedida. Tentamos outros, o de alho poró parecia uma ótima promessa. Nada. O de feijão, muito comum (além de forte). Os petiscos, idem. Nada tem o mesmo charme de antes. Continuamos frequentando outros cafés como o do Museu, o Santa Sophia em Lourdes com o seu sofisticado (e caríssimo) cardápio, mesmo porque em BH não faltam cafés. Mas eu quero o meu caldo de volta! Alguém se habilita a defender a minha causa? Algum advogado? Alguém? Allllguém?

Escrito por Clara Bóia às 11h13
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ROSA

Eles eram um casal muito fofo, muito mesmo! Eram - porque ele faleceu há uns três anos e ela segue firme, rumo aos setenta. Pessoas simples e queridas, que comemoravam a vida nos detalhes. A cada aniversário de casamento, ele dava a ela um envelopinho com o número de dias que estavam juntos. Depois que fizeram 40 anos de casado, o papel dobrado trazia uma considerável soma, sempre vista com admiração por ambos. Ele brincava " Eu te aturo há 14 600 dias!" E ela devolvia sorrindo: "Isso tudo? Meu lote no céu tá garantido então". Faziam piada de tudo, dividiam até mesmo os instantes e se preparavam para o aniversário de 50 anos - bodas de ouro. Ela gracejava "Nas nossas bodas de ouro, eu vou vestir um tomara-que-caia" bem provocante." E ele, respondia " Já eu vou ficar no tomara-que-suba mesmo". Não vestiu. Com uma doença relâmpago, o senhor robusto que ele sempre foi,  definhou em uma cama rapidamente em pouco mais de um mês. Pensei como ela iria seguir em frente depois disso, a dor era tão grande! Mas ela encarou com ternura surpreendente. No velório, ela me disse. "sempre disse tudo o que sentia. não ficou nada pra ser dito." Outro dia, eu e meu marido fomos visitá-la. Entre pães de queijo e muita conversa, percebi porque ela conseguia tocar seu destino. Ele estava lá. Na foto que ficava na beirada da cama, na beleza dos netos, na casa construída, na escolha dos móveis, na alegria que ela nunca perdeu por um dia ter sido esposa dele. Tudo continuava lá e ele também estava ali, vivo. Só que de uma outra forma.

Escrito por Clara Bóia às 19h12
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Lembro-me do dia em que me inscrevi no mestrado. Era o último dia de inscrição e chovia potes! Eu cheguei quarenta e cinco minutos antes do encerramento e aguardava para fazer a ficha de inscrição. Estava molhada, já que a minha sombrinha não dispõe de um mecanismo anti-dilúvio e chuvas de vento. Mas o meu projeto estava intacto, dentro de um plástico resistente, com capa em papel color plus bege, e cartão beterraba delicadamente anexado com um mini-clips dourado. Sentou-se então uma senhora ao meu lado disse: “Nossa, que bonito! Minha filha ia adorar ver o seu trabalho, ela gosta de umas coisas bonitas assim!”. A espontaneidade do comentário foi encantadora, bem como a conversa que iniciamos. A filha também estava concorrendo ao processo, e ela estava ali para entregar a documentação em seu nome. Com muito orgulho ela me disse: “Minha filha é muito preparada, dá uma olhada só no currículo dela. Tomara que ela consiga passar, pois ela está desempregada e o mestrado abre portas, não abre?” Olhei o currículo com carinho e não havia muitos itens. Graduada há quatro anos, uma pós, pouca experiência prática. Mas havia ali uma fã ardorosa, como toda mãe é, torcendo de coração pelo sucesso de sua cria. Ela perguntou sobre o meu trabalho, perguntou se eu não poderia indicar a filha dela pra alguma vaga onde eu trabalhava, “podia ser qualquer coisa mesmo, só pra ela ter chance de entrar pro mercado”. Eu respondi que sim, que replicaria o currículo e deixei meu cartão, no fundo, torcendo pra ela me escrever mesmo. Mas não escreveu. No mestrado, ela também não foi selecionada e nunca soube quem ela era. Mas tenho comigo que uma pessoa que tem um anjo desses por perto não consegue ficar muito longe das boas oportunidades. Naquele dia, fiz a minha inscrição e corri feliz pra cantina para encontrar o meu anjo em forma de mãe que, é claro, também estava ali comigo aquele dia.

Escrito por Clara Bóia às 04h23
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Dias de argila

Já estava tudo combinado: o dia dos pais deste ano seria comemorado com almoço na casa da minha sogra, com a presença dos meus pais, de minha avó e de quem mais quisesse ir. Mas, em cima da hora, meus pais receberam visitas e fomos somente eu e Zé. E lá estava minha sobrinha fofa, prestes a completar sete anos. Como sempre, com a mente fervilhando de idéias. A brincadeira da tarde era argila, graças a uma idéia fantástica da Tia Bê, que inventou uma oficina de modelagem. Passamos a tarde moldando girafa, peixe, urso, barco do "Véi do Rio", jacaré, joaninha, cavalo e uma infinidade de bichos para montar um zoológico. Todo mundo entrou na brincadeira (pai, tios, avó) deixando a energia e a criatividade fluirem. 

Mas... e as minhas unhas vermelhas recém-pintadas? E a roupa que ficou cheia de poeira e respingos? E o tênis de camurça que não é adequado pra essas ocasiões? Mandei essas bobagens pro espaço (na verdade, nem ponderei sobre elas). Não pensei duas vezes antes de enfiar minhas mãos no barro.

Quando a felicidade invade minha vida dessa forma, eu nem penso em resistir e me deixo moldar completamente por ela.

Escrito por Clara Bóia às 10h22
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VIVA O CABOCLO ARRUMADÔ!

Não sou traça mas, ontem, ataquei o meu guarda-roupa de jeito! A constatação foi rápida: roupa demais pra dias (e gente) de menos. Empolgada, esvaziei as gavetas e comecei o Processo Seletivo Nivs' Wardrobe 2008. A princípio, pensei na austeridade de um ITA mas, 20 minutos depois,  meu crivo tava mais pra uma dessas particulares PAGOU, PASSOU. Muito trabalho, quase nada selecionado pra ser dado. Ficava prestando atenção nos meus argumentos "Tal blusinha não pois havia sido dada pela minha madrinha. A outra tá muito novinha. A outra é velhinha mas eu adoro. A outra é ótima pra praia. O jeans mais velho serve pros dias na fazenda. O vestido tá curto, mas dá pra soltar a bainha." E um blablablá que não tinha mais fim. Instituí a segunda etapa e os critérios foram mais rígidos. Cinco blusas pretas lindas? Três vão pra doação. Empolguei e comprei dois vestidos iguais com cores diferentes? Fica um. Blusa meio apertada: tchau. Calça muito folgada: vc é a calça certa pra pessoa errada." Duas horas depois, três sacolas bem polpudas foram formadas e já foram destinadas às obras sociais do meu bairro. Impressionante como faz bem pra alma. Difícil agora é lidar com os "viúvos". Minha mãe aplaudiu a faxina MAAAS assim que viu a primeira peça já disse "mas logo essa vermelha?" O meu marido idem " Tem certeza que essa aí vai tb?" ao ver uma blusa estampada que encabeçava a doação. Claro que eu não tenho! Se eu tivesse inventado uma repescagem, com certeza, muita coisa seria trazida de volta. Por isso, dei um jeito de despachar tudo rapidinho antes que, uma a uma, elas voltassem, não pra minha vida, mas pro fundo das minhas gavetas.

Escrito por Clara Bóia às 16h01
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Ai, ai, viva o cotidiano!

Um rapaz entra numa lanchonete e fica tentando escolher um salgado. O atendente, que parece conhecê-lo de outros carnavais (ou seriam paradas gay?) se antecipa:

- A coxinha de camarão acabou de sair.

- Não, não posso com camarão.

-Jura???? Não sabia!!!!

- Nem camarão, nem lagosta, nenhum fruto do mar.

- Praia procê é um martírio então? - continua o atendente conversadinho.

- É, pior é que, quando vou, tenho que ficar na sombra pois também tenho alergia a sol. E minha família tem casa em Búzios e em Santos, olha a ironia!

Escolheu pães de queijo pra levar, pagou, saiu.

O conversadinho disse pro outro:

"- Deus é bem sacana mesmo, viu. Quer nascer rico, bonito, inteligente? Tuudo bem. Até te dou casa na praia, aliás, duas, três, pra não dizer que eu não sou generoso. Mas em compensação, vai ter alergia até de conchinha!"

 

 

Escrito por Clara Bóia às 16h35
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Terno, sempre. Fraterno, JAMAIS!

A idéia veio de uma amiga: convidar vários casais de amigos para conhecer um restaurante legal de BH. Ok, programa ótimo. Só que ela sugeriu que fizéssemos isso no dia dos namorados. Até aí tudo bem, cada um comemora (ou não comemora) a data do jeito que achar melhor. O problema é que isso desencadeou um papo preocupante. Ela me disse que, depois de um longo namoro, ela sente muito carinho pelo namorado, gosta de muito de CONVERSAR com ele, mas desejo... err... propriamente... bem....   De qualquer forma estava muito satisfeita em ter uma relação terna e confortável. Isso não me saiu da cabeça desde então. Terna ou fraterna? Porque ter uma relação carinhosa, com pessoas que se respeitam, tratando-se com carinho é fundamental. Casadas, principalmente. Encaro a minha casa como um PIT STOP, aquela pausa boa pra trocar os pneus, dar uma refrescada e voltar pra correria que é a vida. Se meus boxes virarem trincheira, estou ferrada! Mas, sinceramente? Não acredito nesse papo de bons amigos. Se não tiver calor, se não tiver paixão, não vejo como a coisa possa se sustentar por um longo tempo. Foi o que eu falei com ela: cuidado com essa “fraternidade toda”. Sei não, depois vem um período de seca, alguém joga uma guimba meio acesa... pronto. Como diria o Skank: “o fogo pode pegaaaaaar e não há bombeiro, terapeuta de casais, pai ambrósio ou irmã tássia da Bahia que possa apagar.”

Escrito por Clara Bóia às 10h40
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Pequenos Milagres

Andei falando das "rabugices" do cotidiano no último post, não foi? A minha porção naftalina do ser e que, graças a Deus  não é muito dada a aparições, andava bem incomodada esses dias pelo fato de ter que ficar das 19:00 às 22:30  sem fazer nada no trabalho, só esperando para passar o cartão. Em condições normais, eu não reclamo. Acho corretíssimo ter um professor de plantão para tirar dúvidas em final de semestre, entregar provas e tudo mais. Aproveito pra cuidar dos diários, ler um livro, navegar na net ou, principalmente, conversar com outros professores (sempre conheço gente legal nessa época do ano). Só que o frio está de matar, eu continuo meio gripada, minha tosse recomeça mesmo usando cachecol (viram a terceira idade mental se manifestar? DIGAM JUNTO: Ô DÓ!) e eu estava ficando incomodadíssima. Ontem, por exemplo, eu só conseguia olhar fixamente o relógio pedindo: "Anda mais rapidinho, meu filho. Eu tô com febre." Mas como meu poder mental só funciona pra outras coisas (preciso aprender a entortar garfos e ponteiros urgentemente), o danado nem se movia. Aí comecei a imaginar que, de repente, o diretor poderia entrar pela porta principal e dizer pra todo mundo "PODEM IR EMBORA ÀS 22:20" Imaginei os rostinhos felizes saindo pelo saguão, enfim, foi uma maneira de me distrair enquanto dava 22:40. Só um milagre pra fazer o relógio andar mais rápido. Quem seria o protetor dos professores friorentos? São Cachecol? Foi quando eu me lembrei que o horário mínimo pra sair era mesmo...22:20 !! Institucionalmente, é permitido passar o cartão 10 min antes ou 10 min depois do término das aulas. Como eu nunca termino minhas aulas antes, estava acostumada a bater o ponto às 22:40 e nem me lembrava desse detalhe. Achei o máximo! Pequenos milagres acontecem quando a gente menos espera! Agora só me resta imprimir 365 santinhos com a estampa da minha Santa Memória que me salvou do enregelamento.

Escrito por Clara Bóia às 11h19
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Achaques

Chegar aos setenta, oitenta e outros ‘entas’ é uma idéia que não me assusta tanto. Talvez pelas sábias Donas Sinhás e Nair, Donas Elzas, Tias Lias e Donas Luzias que tenho (ou tive) a honra de ter no meu caminho, vejo que é possível avançar pela vida com lucidez e sabedoria, carregando uma gratidão profunda por cada ano vivido. No entanto, me assusta a idéia de envelhecer. Falo das rabugices, da falta de brilho e de interesse, de todos os achaques enjoadinhos que deixam a vida sem graça. Coisas de gente que reclama de tudo o tempo todo, que já te cumprimenta falando de “uma dorzinha aqui, outra ali”, que cultiva uma teimosia gratuita somente para impor a sua vontade, que cultiva manias e mais manias, que acha tudo muuuuito difícil, muuuuito caro ou muuuuuito trabalhoso, que não joga nem um papel de bala fora com medo dos tempos difíceis de amanhã. Recentemente, ouvi uma pessoa dizer que prefere viver sozinha porque o “fulano” não tinha cuidado com seus móveis e que demitiu a faxineira por ela não fazer as coisas exatamente “do seu jeito”. E engana-se quem pensa que eu estou falando de idosos. Estou falando de mim, de você, dos outros. Cada vez mais percebo os traços de velhice em gente com pouquíssimo tempo de estrada. Todo mundo, sem exceção, tem um pouco dessas coisas dentro de si, variando somente o grau da coisa. Portanto, na hora que a velhota ou um velhote encarnarem em você, faça um lifting no astral, malhe a rabugice e não hesite em uma lipo caprichada na preguiça. O melhor exercício é sempre tentar  pensar como a avó da Shê, ultra-jovem no alto dos seus noventa e muitos anos e que está sempre protelando a velhice pra um futuro distante.

 

"Vocês acham que eu não penso na velhice? Eu sei que eu ainda vou ficar velha... UM DIA."

 

 

Escrito por Clara Bóia às 10h46
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SALTO ALTO PARA BEBÊS

Pessoas, é heelarious mesmo! Desculpem-me as mais antenadas mas eu achei que fosse piada. No entanto, a embalagem adverte: THIS IS NOT A TOY. Hehe, this is not a joke também. Eu já sabia que existem empresas especializadas em criar sapatos com salto para o público infantil. Mas essa empresa foca o público de zero a seis MESES de vida! São vários modelos, cada um mais fashion que o outro! Os primeiros passos podem demorar um pouco mais, mas, em compensação, a primeira tamancada na cabeça virá rapidinho. Teste do pezinho vai ser servir não mais pra descobrir novas doenças e sim novas tendências: strass? oncinha? pretinho básico?

Achei esse site pesquisando sobre SPA KIDS para auxiliar um grupo que estou orientando na Fisioterapia. Tenho lido diversas matérias relacionadas à crescente estetização infantil e encontrei assuntos curiosos e preocupantes (como o fato de meninas de dois anos se acharem gordas, crianças de 4 anos sentirem angústia por ter cabelos ondulados, e meninas de 6 não gostarem de ir a festinhas infantis sem fazer escova e usar esmaltes- daí a brecha pro SPA). São meio chocantes essas "novidades" não? Daqui a pouco, as meninas já nascerão angustiadas por terem aparecido no ultra-som sem maquiagem.

Escrito por Clara Bóia às 10h09
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Testemunha ocular (e auditiva) do cotidiano

* Uma  mulher, bem gordinha, posta-se diante da vitrine da Momo e seu olhar passeia entre as guloseimas doces que, inocentemente, giram em pratos iluminados. Pede uma trufa enquanto escolhe, calculo, uma torta de nozes ou uma floresta negra. Depois de dois segundos de indecisão, pergunta ao atendente com visível ar de culpa: "qual a torta que tem menos calorias?"

Ele responde rápido:

"Acho que é a de palmito."

 

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“-  Foi doido, véi. Mas ela não tinha Orkut nem MSN, não usa celular e o pai ainda vendeu o computador pra pagar dívida. Como vou continuar pegando uma mulher que não existe, fraga?”

 

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“Derrotas são, por vezes, inevitáveis e aprendemos muito com elas. Só não podemos deixar que elas virem um hábito.” (ouvi num filme bom de domingo)

 

 

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"Ser feliz pra sempre é possível, sempre que possível." (não tem fonte, mas tem sentido)

 

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Escrito por Clara Bóia às 11h57
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