Dia dos pais está chegando...

Pai...

Mãe...

de olhos mansos:

Sei que estás, invisível, em todas as coisas.

Que teu nome me seja doce, a alegria do meu mundo.

Traze-nos as coisas boas em que tens prazer:

o jardim, as fontes, as crianças, o pão e o vinho,

os gestos ternos, as mãos desarmadas, os corpos abraçados...

Concede-nos contentamento nas alegrias de hoje: o pão, a água, o sono...

Que sejamos livres da ansiedade.

E ajuda-nos, para que não sejamos enganados pelos desejos maus e livra-nos daquele

que carrega a Morte dentro dos próprios olhos. Amém.

*trecho selecionado de um poema de Rubem Alves

Escrito por Clara Bóia às 13h12
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O que você queria ser quando crescesse?

Quem lida com publicidade sabe que pesquisa é a alma do negócio. Por isso, eu e meu “duplo de criação” fizemos essa pergunta para diversas pessoas enquanto preparávamos uma campanha para uma conhecida universidade de BH. Muitos nem precisaram de esforço para responder. Outros, bons arqueólogos, tiveram que desenterrar o passado, levantando poeiras e risadas. As respostas foram as mais divertidas possíveis, desde os clássicos “lixeiro” e “professora” até “treinador de baleia orca”, astronauta, catador de conchas e assistente de palco do Fofão. Mas o que a pesquisa resgatou de mais interessante foi a resposta do departamento financeiro e sisudo da instituição. A essa pergunta, travou-se o seguinte diálogo:

 

- Essa é fácil. Eu queria ser contador, como sou hoje.

- MAS AO DEZ ANOS?

- Sempre tive muito foco.  

- OK, E AOS CINCO?

- Hum... talvez economista. Gostava de dinheiro.

 

Foi quando o economista que estava na sala revirou a caixola e descobriu uma vontade esquecida de ser jornaleiro, só pra passear pelas ruas do bairro de bicicleta. A moça se lembrou que queria ser dona da banca de revista para ler gibis sem pagar e nosso entrevistado, sem esconder o sorriso também contribuiu:

 

-CARAMBA, EU NEM ME LEMBRAVA MAIS! TUDO O QUE EU MAIS QUERIA ERA DIRIGIR CAMINHÕES NO CEASA!

 

Só sei que, mesmo depois que fomos embora, dava pra ouvir, do corredor, as risadas do caminhoneiro do Ceasa, da dona da banca e do jornaleiro, recém-libertados.

Escrito por Clara Bóia às 08h54
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