Mestrado em Zoo-comunicação
Comunicação ou zoologia?
Tem gente que acha que fazer mestrado na comunicação é algo de outro mundo. Eu acho que nem tanto, mas sem dúvida, é um pouco bizarro. Na semana passada, estive ausente da nossa clarabóia pois estava chovendo trabalhos. Passei dias discutindo a importância da vocalização na tribo dos macacos verdes, a impossibilidade da medição do nível de putice das abelhas operárias e se o touro cafugando no seu pescoço pode ser detectado ou não pelo seu sistema consciente. Como vocês viram, mestrado é mesmo uma coisa animal. E para arrematar aprendemos que: "memória e consciência não é nada disso que você está pensando". Não sei o efeito disso sobre os meus neurônios, mas fato é que o sistema criativo (ou insano) fica bastante mexido. Momento "flashes":
MARCO TEÓRICO DOS SANTOS. A recomendação mais ouvida durante as aulas é que todo mestrando precisa ter um Marco Teórico. Eu sempre pensei que todo mundo precisasse ter saúde, paz, amor no coração, mas já me acostumei. Aliás, Marco Teórico um bom nome para uma criança intelectual. “Marco Teórico, faz tempo que você não arruma esse quarto!.” Ele, obviamente responderia. “Mas, mamãe, o que é o tempo?”
DESVIO PADRÃO (DE CONCENTRAÇÃO): Com o conhecimento adquirido nas frutíferas aulas de metodologia de pesquisa, aprendi que o nome correto de amostragem na pesquisa qualitativa é CORPUS. O corpus é isso, o corpus é importante pra aquilo, o corpus é definido por... e a fofa aqui só conseguia pensar no iogurte Corpus da Danone, com pedaços de frutas bem geladinho, hummm...
EU VI GNOOOMO, EU VI DUEEENDE. Não fui eu quem disse, foi Flusser. Não é você quem tira fotografias, é a câmera. Desde a caixa preta, existe um duende (japonês, se a máquina for Sony, Yashica) dentro daquele dispositivo, com boina e olhar blasé que indica, “isso é fotografável, aquilo não”. Portanto, pare de falar “as fotos que eu tirei” sob risco de ser processado pelo próprio equipamento que descansa em berço esplêndido no conforto do seu lar. O advogado dos duendes é muito poderoso, pergunte à Xuxa.
CÃO QUE LADRA NÃO MORDE. MAS TALVEZ FALE. Latratus cannis é um texto do Eco que discute se há ou não intencionalidade quando o seu cão emite sons. Ou seja, pode ser que um AUAU valha mais que mil palavras. E como bem disse Valéria, citando Montaigne, nada nos garante que somos mesmo os donos dos nossos bichinhos e não o contrário. Afinal, nós os alimentamos, damos banho, tosa, comida na hora certa e os levamos pra passear. Quem serve quem mesmo?
Escrito por às 10h37
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