Cinderela Moderna

Sempre achei Rubim um nome perfeito pra uma cidade, parece nome de pedra preciosa. Pois bem, nossa cinderela moderna nasceu naquela região e sempre foi mesmo uma preciosidade. Nunca conheci um namorado que ela tivesse, mas rolos, tinha vários! Desconfio que ela até combinava o modelito com o modelão: xale de franjas, caubói. Evento social combina com um engravatado. Missa de formatura, menino de família... e seguia se divertindo. Até que, recentemente, o príncipe encantado apareceu. Não veio no cavalo branco, pois chegaria e a encontraria na terceira idade. Veio de avião mesmo, mais rápido, prático e seguro. E como a fada madrinha é publicitária, criou tudo direito. Nada de Paraguai ou China. O  homi veio de Miami mesmo chamando-a de princesa, mulher da minha vida e querendo levá-la pro seu castelo o mais rápido possível. Para quem tá achando que ele é um psicopata, maníaco da Park Avenue, eu esclareço: nada disso, os antecedentes são ótimos! Ele é irmão da fada madrinha e é tudibão mesmo. Centrado, maduro e inteligente. Viu a cinderela uma vez e já se apaixonou. Dois meses depois só quer saber de filhos, casamento, viagens. E quem acha que tá tudo acelerado demais, inclusive a noiva, eu esclareço. Em conto de fada é assim mesmo, pá pum! A única que dormiu no ponto cem anos foi a Bela Adormecida mas de resto, o povo já beija e é feliz parassempre mesmo! E eu, que adoro e acredito nos finais felizes, fico aqui no meu blog jogando arroz nos noivos até amanhã de manhã.

Escrito por Clara Bóia às 11h37
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Momento Heleninha

Durante muitos anos, foi adepta da Seita do Suco de Laranja. Cerveja, quase nunca. Vinho, só no Natal. Champanhe no ano novo. E sempre uma taça. Com o tempo, ampliei um pouco o espectro e tomo cerveja em bares com os meus amigos, meia garrafa de vinho com o Zé pra comemorar alguma coisa, mas nenhum porre vexaminoso consta em meu currículo, bem como abraços calorosos ao vaso sanitário e coisas do tipo. Mesmo porque, com a sensibilidade o meu organismo, só de digitar a palavra VODCA, já começo a ficar alegrinha. Agora imaginem a cena.

 

Mês passado, fui a um dos 950.542 bares belorizontinos que se chama A Casa. Era aniversário de uma amiga. Só que era uma A Casa muito engraçada, não tinha mesa, não tinha nada. Minto, isso foi só pra não perder a paródia fraquinha. Lá tinha um bom “samba de raiz”. E as mesas reservadas estavam preenchidas, graças à popularidade da aniversariante. Ficamos então circulando, “fazendo amigos e influenciando pessoas”, como diria um grande amigo meu. Enquanto a mesa não era liberada, pedi uma caipivodca –detalhe, sem comer, levemente cansada depois de um dia de trabalho. Tiro e queda. Em menos de 30 minutos, após ter esvaziado, lentamente, o copo, percebi: “ Nuh, estou tonta.” Sintomas: mundo passando em flashes, cores vibrantes, senso de direção levemente alterado, vontade de falar, cantar, contar piadas.  Me contive, fiquei  brincando de vaca amarela comigo mesmo. O pior é que, nessas horas, o universo conspira contra você. Peguei um flyer no cantinho, perto do Caixa e tive que me controlar pra não ter uma crise de riso: O FLYER SÓ ERA IMPRESSO NA FRENTE, O VERSO ERA BRANQUINHO, HÁHÁHÁ. Sentiram o nível do problema que eu tinha em mãos?  No banheiro fiquei me olhando no espelho: OLHA, ESSA SOU EU TONTA, PRAZER! HUAHUAHUA. E pra piorar, uma colega de trabalho estava numa mesa próxima. Melhor me comportar MUITO bem antes que o meu filme fosse grelhado e servido com molho de alcaparras, concordam? Bem, sorte minha e do meu marido que, nessas horas, em vez de dar vazão ao meu lado ébrio, eu fico quietinha, bem na minha. Mas como eu sei que, em relação a esse assunto todo mundo tem uma boa história pra contar, embebedem os comments com boas histórias!

Escrito por Clara Bóia às 11h20
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