Tirando a poeira do blog.

Antes de meus pais comprarem a casa que moram hoje, morávamos os três em uma casa alugada, bem pequena. Era uma casinha simples, bonitinha, onde fomos muito felizes. Mas minha mãe queria mais. Em momento algum ela deixou de amar nossa vida na casa pequena, mas sempre sonhou com uma casa linda e espaçosa, bem iluminada, onde ela pudesse ter um jardim, tudo no lugar  e arrumá-la do jeito que bem entendesse – sem se preocupar com tacos soltos ou azulejos quebrados. Sonhava em trocar os móveis, ter quadros e tapetes que o ambiente pequenino não comportava. Um sonho bem material mesmo, pois a vida tranquila e feliz ela já tinha e sabia que a teria independente do lugar. Sempre foi muito esperta, essa minha mãe.

Pois bem, ela se mudou antes da gente. Mudou-se para uma casa que ainda não existia, mas que ela já amava. Levou para lá apenas alguns sonhos, pois os outros continuavam sendo realizados em nosso dia-a-dia.  E quando essa casa, enfim, materializou-se, depois de muita procura, foi só entrar pra lá. Nenhum stress de mudança, nenhuma dificuldade em decorá-la, nenhum atropelo no meio do caminho. Foi só aproveitar mesmo. Uma felicidade que é compartilhada até hoje, muitos anos depois. Muita gente se sente inexplicavelmente bem na casa dos meus pais... talvez, sintam a aura de desejo alcançado.

 

 

A psicologia diz que, um desejo, logo que realizado, dá lugar a outro, a outro e a outro, numa frenética forma de mover o mundo. Dizendo dessa forma, parece que “ser humano” é viver sofregamente preenchendo vazios. Não é bem assim. Certos desejos, depois de alcançados, nos deixam mais confortáveis para correr atrás de outros. Como se começássemos uma caminhada a pé e quando quase estivéssemos cansados, ganhássemos uma caroninha. Ou o contrário, depois de viajar horas de ônibus, descêssemos para esticar as pernas e respirar ar puro. E essa sensação gostosa, não se perde no afã do próximo desejo. É guardada em lugar vip na memória, sempre acessada quando se procura a aventura de novos objetivos.

 

Escrito por Clara Bóia às 16h23
[ ] [ envie esta mensagem ]

Visitante número: