Aniversário
Nunca vou me esquecer dos meus aniversários de infância. Todo ano tinha festa, toda festa tinha bandeirolas. Igual a festa junina, sabem? Meu pai comprava papel de seda de todas as cores e decorava o quintal inteiro. Meus primos corriam até ficarem vermelhos enquanto meus vizinhos mais velhinhos ficavam dentro de casa assistindo TV. E quando a Terezinha chegava, sempre com uma boneca maior do que a do ano anterior, a festa parava pra ver. Com três meninos, eu era a menina que ela ainda não tinha. No dia seguinte, feriado, levávamos tudo pra comemorar na casa da minha avó na fazenda, com os primos do interior. Minha tia então costurava vestidos lindos para minhas bonecas e a gente passava um final de semana inteirinho “inventando moda” nos terreiros. Lembro-me de um ano que a minha mãe me pediu pra escolher uma cor e fizemos todos os preparativos com muita antecedência – bandejas decoradas, balões diferentes, minhas bonecas preferidas enfeitando uma grande mesa. Lembranças boas que eu não vou esquecer nunca mais. Aí a gente vai crescendo, mas o carinho nunca diminui. Nos quinze anos, meus pais não podiam me dar uma festa como as que as minhas amigas tiveram. Mas tive um dia lindo, com direito a arrastar meu pai pro shopping, coisa que ele NUNCA fazia e até almoçar no Mc Donald’s com ele (evento mais raro que a aparição do cometa Halley) e festa em casa à noite. Em outro ano, meu café da manhã teve trilha de Forrest Gump - cd que eu cobiçava há tempos, mas foi minha mãe quem me surpreendeu. Houve aniversários com amigos, saídas inesquecíveis com mesas gigantes de mais de 30 pessoas, houve muita torta de frango com catupiry da Momo, nos tempos de Pólo, festinha supresa no Uni, enfim, teve de tudo um pouco. Namorado, hoje marido, chegando antes das sete da matina, na chuva, meio dormindo, só pra tomar café comigo. Amigo querido, que foi até a agência com flor, chocolate e livro de poesias. Lírios laranja. Festa na PUC com bolo de coca-cola, cartões lindos by Shê-Nana-Carol, piadinhas do Mick e dos meninos. Hoje em dia, na medida em que os anos passam, ficam as delicadezas. Em tempos de Orkut, muitas lembranças vêm pela internet, emails, recadinhos no MSN que eu recebo com o mesmo carinho de sempre. Hoje está sendo assim: Café da manhã e almoço surpresa que meus pais e Zé arquitetaram. Visita surpresa da Rosa que nunca deixa de me dar um beijo. Minha vó acordando cedo pra assistir uma missa “em minha intenção”. Terços que minhas tias rezam no interior pra mim a cada ano. Prima distante que manda palavras com efeito de abraços apertados. Muitos telefonemas carinhosos. Danny com o seu PUTA QUE PARIU HOJE É TRINTA DE ABRIL. E uma gratidão sem tamanho por mais um ano de VIDA.
Escrito por às 16h14
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