Dias de argila
Já estava tudo combinado: o dia dos pais deste ano seria comemorado com almoço na casa da minha sogra, com a presença dos meus pais, de minha avó e de quem mais quisesse ir. Mas, em cima da hora, meus pais receberam visitas e fomos somente eu e Zé. E lá estava minha sobrinha fofa, prestes a completar sete anos. Como sempre, com a mente fervilhando de idéias. A brincadeira da tarde era argila, graças a uma idéia fantástica da Tia Bê, que inventou uma oficina de modelagem. Passamos a tarde moldando girafa, peixe, urso, barco do "Véi do Rio", jacaré, joaninha, cavalo e uma infinidade de bichos para montar um zoológico. Todo mundo entrou na brincadeira (pai, tios, avó) deixando a energia e a criatividade fluirem.
Mas... e as minhas unhas vermelhas recém-pintadas? E a roupa que ficou cheia de poeira e respingos? E o tênis de camurça que não é adequado pra essas ocasiões? Mandei essas bobagens pro espaço (na verdade, nem ponderei sobre elas). Não pensei duas vezes antes de enfiar minhas mãos no barro.
Quando a felicidade invade minha vida dessa forma, eu nem penso em resistir e me deixo moldar completamente por ela.
Escrito por às 10h22
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