Entre caldos e cafés

Existem alguns achados na vida cuja extinção é digna de processo. Um desses casos é o caldo de abóbora com camarão do Café do Sol. Farto, delicioso, preço honesto (algo em torno de RS 8,00), servido com generosas lascas de pão italiano. Não costumava ser a saída oficial do final de semana mas costumava cruzar nosso caminho com alguma freqüência: ao final de peças de teatro, quando queríamos apenas uma leve esticadinha, na categoria "agrado para pessoas queridas" quando levávamos as nossas mães e como desculpa pra demorar um pouco pra ir para casa, em tempos de namoro. Deixava qualquer dia comum com ares de festa. Lembro-me de um dia frrrrriiiiiio que o Sr. Claro Bóio me buscou no trabalho, um despretensioso meio de semana e ficamos um bom tempo lá conversando, bebericando uma taça de vinho e tomando o caldo que passou a fazer parte da nossa história. Um belo dia.... SURPRESA! Ele saiu do cardápio e nem deixou um bilhete de despedida. Tentamos outros, o de alho poró parecia uma ótima promessa. Nada. O de feijão, muito comum (além de forte). Os petiscos, idem. Nada tem o mesmo charme de antes. Continuamos frequentando outros cafés como o do Museu, o Santa Sophia em Lourdes com o seu sofisticado (e caríssimo) cardápio, mesmo porque em BH não faltam cafés. Mas eu quero o meu caldo de volta! Alguém se habilita a defender a minha causa? Algum advogado? Alguém? Allllguém?

Escrito por Clara Bóia às 11h13
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