Cabeça OCA

Eu acho que a cousa vem da época da colonização. Os purrtgueises aportaram em nossas praias de nudismo e rapidinho começou o troca-troca. Além disso que você está pensando, foi um tal de pedra pra cá, espelhindo pra cá, madeira em troca de guizo, um legítimo carnaval. Parecia piada ou programa do 'Seu Sílvio". Quer trocar uma floresta de pau brasil por um abridor de latas???? SIIIIIIIM

O problema é que eu desconfio  que há uma tribo de indiozinhos escambeiros habitando a cabeça oca do brasileiro até hoje. Ô povo que adora uma promoção. Troca mesmo seu rico dinheirinho por panelas e carrinhos do Jornal Super, compra uma fortuna pra ganhar camisetas de qualidade duvidosa, compra cinco bronzeadores pra ganhar um 'bardinho de prástico". O Natal mal chegou e a gente já começa a criar peças publicitárias do tipo "compre isso, ganhe aquilo". É uma beleeeeuza!

Mas nada se compara ao surto que me acomete quando vou a congressos e feiras. Neste caso, o espírito do escambo é potencializado, POIS VOCÊ ESTÁ ALI SÓ PRA GANHAR. Quando são feiras bacanas tudo bem. Mas a tal regra vale pra tudo. De salões do automóvel às feiras de ciência. Algo dentro de mim adora circular com aquelas sacolonas pra ir enchendo com canetas que não escrevem bem, folderes que nunca lerei, cds que jamais entrarão no meu computador. Preencho os cadastros na tentativa de ganhar aquelas camisetas disformes, com logomarcas gigantescas que não prestam nem pra dormir. Só nas feiras eu chupo balinhas enjoativamente doces, tomo coca-cola quente, como pipocas doce de isopor. Afinal, é "di gratis", não é? E no fim das contas volto pra casa feliz com o meu lixo que acaba na SLU em poucos dias. E daí? A pajelança já foi feita dentro de mim e os meus índios já estão satisfeitos com os presentinhos inúteis trocados pelo meu tempo livre. 

Escrito por Clara Bóia às 01h20
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